Por União das Freguesias de Gavião e Atalaia
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25 de agosto de 2026
Na sede do Clube Atlético e Recreativo da Atalaia há uma camisola da seleção nacional de hóquei em patins que está sempre em exposição que suscita sempre um olhar. Bem o merece pois é o jersey que António José Chambel, um filho da terra, envergou no Mundial de hóquei em patins que se disputou em Itália, no ano de 1993. Onde o guarda-redes de Portugal se sagrou bicampeão do mundo de hóquei em patins (o primeiro título foi conquistado em 1991, em Portugal). António Chambel esteve à conversa connosco precisamente na sede do CARA, com vistas para o Alto do Pina, onde nasceu no dia 17 de janeiro de 1964. O pai José (mais conhecido por Heitor) e a mãe Maria Eugénia tinham acabado de ver nascer gémeos mas a menina não sobreviveu. “Fiquei aqui enrolado em lençóis a lutar pela vida”, conta António Chambel. Filho, como diz, “de gente humilde”, mãe cozinheira e pai ferroviário, o nosso bicampeão do Mundo vivia então com os pais em Santarém mas estes quiseram que nascesse na terra natal. A infância e a juventude de António Chambel passou por largos tempos na sua Atalaia, no verão, onde acompanhava os avós nas lides do campo. O avô tinha moinhos nas Barrocas e António lembra-se de ir ao Cadafaz em carroças levar o cereal. “Esta terra tinha, então, vida e riqueza”, refere. Da Atalaia a Torres Vedras A família fixou-se em Torres Vedras, onde ainda hoje faz vida, no ramo dos seguros depois de muitos anos na Toytorres (do grupo Salvador Caetano) de de passar pela rádio “Europa”, pelo jornal “Frente Oeste” e pelo grupo “Fonsecas” (da Auto-Sueco). O pai trabalhou na estação do Rossio, em Lisboa, e a mãe orientou o restaurante “O Comboio”, em Torres Vedras. “Vinha muitas vezes à Atalaia e lembro-me de uma vez, ainda jovem, ter vindo de boleia até Nisa e só aí apanhei um táxi para a Atalaia”, recorda. O hóquei em patins entrou cedo na sua vida, em Torres Vedras, onde se lembra de saltar muros para ir jogar no ringue do liceu. A Física de Torres Vedras estava ali e naturalmente foi o seu local de iniciação no hóquei patinado. Os primeiros patins, esses, chegaram da Suíça através de um amigo. À pergunta sobre o facto de ter ido para a baliza, António Chambel responde simplesmente: “Não sei explicar”. Dizia-se na altura que o guarda-redes era aquele que não sabia patinar mas patinar bem já era com ele, um desportista nato, que também experimentou o ténis de mesa, o basquetebol, a luta greco-romana e o voleibol. Curiosamente, também o seu filho Pedro escolheu o hóquei em patins e a baliza. Hoje é campeão francês e já conquistou duas medalhas de bronze pela seleção gaulesa em Mundiais. Da Física ao Benfica Mas voltemos ao rinque da Física e aos primeiros ensinamentos dados por Cipriano Santos, tinha António Chambel apenas 16 anos. Em 1981, ainda juvenil, começou a jogar nos seniores do Física, na II Divisão. O Benfica e o Sporting não tardam a aparecer com interesse mas o craque vai para o Alenquer. “Era mais perto”, explica. Mas não tarda a investida de Torcato Ferreira, que o leva para o Benfica, para ser terceiro guarda-redes. No primeiro jogo fica na bancada, no segundo vai ao banco e joga e depois pega de estaca como titular. Não são anos fáceis, enquanto corre a década de 80, para o Benfica e o Sporting pois o FC Porto “tem uma geração de ouro e ganha quase tudo”, até uma final da Taça dos Campeões Europeus que disputa. Finalmente o Sporting De saída do Benfica, faz um ano de transição no Turquel (88/89) e é então que tem oportunidade de jogar pelo clube do seu coração – o Sporting. “Era um sonho que tinha”, diz. O clube leonino vive dificuldades sob a presidência de Jorge Gonçalves. Mas “são anos bons” e a seleção chama-o. Entre dois títulos mundiais, fica um desgosto: o 4.º lugar nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. A tal, como diz, “medalha de cortiça”. A equipa até partiu para Barcelona campeã do mundo e da Europa, sob a orientação de António Livramento. “Não correu bem mas nunca mais irei esquecer a entrada no estádio olímpico, na cerimónia inaugural”, conta-nos, com um brilho nos olhos, enquanto não para de saudar quem vai chegando à sede do CARA Atalaia e continuam a desfilar histórias e imagens. Como, por exemplo, aqueles jogos de “hóquei em campo” jogos na rei dos avós, junto à fonte na estrada que sai para as Degracias. "Esta é a minha terra, as minhas origens, e sempre que posso aqui volto", diz-nos ainda, antes de participar em mais uma festa da sua aldeia.